Marketing Digital não é para Ignorantes
Por Marisa Lemos

A cada dia que passa, me deparo mais claramente com a ignorância que algumas empresas possuem do que é possível realizar utilizando a internet.
Estou quase apostando, por exemplo, que em algum lugar do Brasil um dono de empresa viu no seriado “Betty a Feia” que “o Google Alerts te avisa quando seu nome é mencionado na internet” e chegou na empresa no dia seguinte dizendo: “Muito legal, vamos usar?”
Para explicar melhor meu ponto de vista, deixe-me dizer que uso “ignorância” no sentido de “ausência de saber”, não de incompetência. Não saber não é um pecado. É um estado, que pode ser facilmente alterado com um pouco de estudo.
Pecado mesmo é atuar sem planejamento em um mercado com tantas possibilidades quanto o digital. Não é bom para o mercado digital que empresas sejam irresponsáveis com seu próprio dinheiro, gastando sem objetivo e sem noção dos resultados que podem alcançar.
Por que digo isso? Porque a internet é um meio que permite (entre outras coisas!):
- Medição de Resultados
- Velocidade de divulgação
- Direcionamento da mensagem
- Interação
- Compartilhamento
- Convergência
Não podemos deixar que isso seja desperdiçado. Marketing Digital sem planejamento e sem o uso correto de recursos de medição – como a possibilidade de corrigir quase imediatamente qualquer erro na sua ação – é só uma pedrinha jogada no lago. Pode acertar um peixe e fazer alguma marola, mas em segundos não haverá mais efeito algum.
Em tempos de revitalização de Alice no País das Maravilhas, vale lembrar uma das passagens do livro:
“Você poderia me dizer, por favor, que caminho devo seguir a partir daqui?”
“Isso depende muito de aonde você quer chegar”, disse o Gato.
“Não me importa muito pra onde”, disse Alice.
“Então não importa por qual caminho você vai”, disse o Gato.
Se uma empresa não sabe para onde está indo, não pode esperar chegar a algum lugar. Estamos falando de negócios, não de uma viagem de mochila pela Europa.
Planejamento e métricas são necessários, e é responsabilidade dos profissionais do mercado trazer essa cultura para dentro das empresas, não deixando que elas entrem na onda somente para aproveitar a maré.
Muitas vezes a solução a ser recomendada para um cliente poderá ser “conheça melhor seus clientes”. Banal? No entanto, isso pode ser muito mais importante para o negócio dele do que fazer “aquela” ação de mídia social que vai trazer “x” fãs e “y” seguidores.
A empresa em que você trabalha (ou que você atende) sabe quais os hábitos dos clientes na internet? O que eles fazem quando estão online? Que sites acessam além do dela? Quais os interesses deles?
Ela sabe o que perguntar para os clientes nas pesquisas? Aliás, ela faz pesquisas? Será que alguma vez já lhe ocorreu usar seu próprio site para isso? Ou mesmo as redes sociais tão em voga?
O conhecimento do público-alvo traz junto consigo várias possibilidades de ação e oportunidades até então desconhecidas – de leads, de vendas, de aumento de participação de mercado, até mesmo de novas utilidades para um produto.
O uso indiscriminado da “novidade” como chamariz para venda de serviços de marketing é algo que contamina e prejudica o mercado. Nenhuma novidade se sustenta sem um trabalho de base. É legal utilizar o Twitter e o Formspring como ferramentas de contato com o seu público? Sim, desde que se tenha recursos preparados para isso, com tempo e formação adequada. Sim, desde que o seu público use esses sites para entrar em contato com você. Sim, desde que isso faça alguma diferença para o seu negócio.
O mercado é amplo, cheio de potencial e lotado de clientes que precisam de boa orientação. O cuidado em tratar um mercado tão virgem e tão cheio de possibilidades precisa ser dobrado, para obter a confiança nas novas ferramentas e canais.
Trabalhe com consciência, para que o novo cliente de hoje seja um cliente eterno, um parceiro que confiará sempre nas suas recomendações; ele topará suas idéias mais ousadas, se anteriormente você ofereceu soluções, mesmo que simples, para os problemas que ele tinha.
Os casos de ignorância digital são muitos e se apresentam nas mais variadas formas:
- Tem empresa que ainda entope a caixa postal dos outros de spam.
- Que acha que cliente não reclama.
- Que quer estar em mídias sociais só porque é “moda”.
- Que dispara e-mails, compra links patrocinados, mantém um blog, tem um site – e não sabe o que é métrica, muito menos que Google Analytics é de graça.
- Que quer fazer um “viralzinho” pra bombar no YouTube.
- Que descobre por acaso que tem gente “falando mal da empresa no Google”.
(Quer contribuir com essa lista? Coloque nos comentários, a gente atualiza o post depois).
Respire fundo. Prepare-se, argumente, discuta, explique. Não deixe que a sua empresa ou o seu cliente faça o que “ouviu dizer que era bom”.
Para uma empresa, a ignorância não é uma benção. Para o mercado, ela é um problema que um bom profissional consegue transformar em uma grande oportunidade. Mãos à obra, então!
Colaboração neste artigo: trecho de “Alice in Wonderland” traduzido por @claudiamello








Ótimo texto Marisa. É um alerta interessante para o uso adequado das ferramentas. Usar o trecho de “Alice no país das maravilhas” foi um detalhe extraordinário, que revelou uma análogia ajustada ao problema em questão.
Os textos das Marisa sempre trazem uma sinceridade não somente sobre o que ela acredita e pensa do Mercado, mas também sobre a realidade do mercado.
Muito bom Marisa!!!
[...] Marketing Digital não é para Ignorantes – Pecado mesmo é atuar sem planejamento em um mercado com tantas possibilidades quanto o digital. Não é bom para o mercado digital que empresas sejam irresponsáveis com seu próprio dinheiro, gastando sem objetivo e sem noção dos resultados que podem alcançar [...]
Ótimo texto, Marisa! O que precisa ficar muito claro para as empresas é que a Internet, as mídias sociais e todas essas novidades são apenas o meio para chegar ao target. A finalidade é que precisa ser muito bem definida através do Planejamento Estratégico de Marketing e esse pode incluir, ou não, ações na web. Evidentemente, com todas as vantagens que a Internet traz, tal como a possibilidade de mensurar uma campanha de forma muito mais assertiva, além do próprio crescimento da rede enquanto mídia, é quase impossível fazer um plano que não inclua Internet. Mas sem definições claras, a Internet por si só não assegura o sucesso de ninguém.
Perfeito.
Morrendo de orgulho dessa minha amiga e competentíssima (sempre) colega de trabalho.
O texto está redondo e muito gostoso de ler!
Tenho percebido uma recente participação das empresas com mais estratégia dentro da rede. Precisamos de planejamento até para organizar o nosso dia, que dirá para uma empresa atuar em um segmento. O público da web é melhor informado e mais interativo, talvez daí parte a necessidade de estartégias mais elaboradas e segmentadas, com uma gestão de inteligência sobre todas as ações. Trabalho duro, científico. Sem guruzimos, modismos e fundalmentalmente sem achismos propostos por uma área ainda tão pouco dissecada e violentamente mutavel.
Muito bom esse texto, parabéns.
A verdade é uma só: estudar, entender, compreender e se adaptar as mídias sociais,
para depois fazer um bom uso dessa valiosa ferramenta.
Mais uma vez parabenizo pelo excelente post.
Ótimo tópico! ajudou mtoo!
Muito bom, Marisa! Bem escrito, simples de entender e com bons argumentos.
Na minha opinião, a “coisa” realmente se complica quando se pensa nas pequenas empresas, no “long tail” dos anunciantes digitais.
No nosso caso, para que a TeleListas (ou qualquer empresa que se veja como “agencia” das pequenas empresas) possa ajuda-las a definir uma estratégia de marketing digital, esta estrategia deve ser pensada “em massa” por tipo de serviço+perfil do usuário deste serviço…
Fazendo, por exemplo, uma integracao “natural” com redes sociais. Inicialmente transparente para a pequena empresa e, aos poucos, mostrando a interação possível, por exemplo, fornecendo (ou ensinando a usar) ferramentas de divulgação de promoções aos seus seguidores/fans/etc.
Por exemplo, usando a API do Facebook Connect, pode-se tentar entender o perfil de usuários que utiliza determinada atividade e enviar estatísticas aos anunciantes desta atividade sobre o perfil dos seus próprios prospects. O que pode gerar por parte destes açoes muito mais direcionadas.
bem eu começaria assim: fazendo tudo “em massa” e coletando estas estatísticas “em massa” pra ver se seriam percebidos padroes de comportamento ou de perfil.
Delirei? Acho que sim, mas é que o assunto é bom.
mais um adendo para as formas da ignorância digital:
- Ter recursos simples e interessantes na rede social e nem sequer saber que eles existem.
Também tenho outro adendo as formas de ignorância digital.
- Acelerar processos e compreender que em mídias sociais tudo é muito rápido e a importância do timing nesses canais.
- Para trabalhar com mídias sociais é preciso uma mudança de cultura da empresa e não só adotar porque é o hype do momento.
Ótimo post.
Ótimo post sobre o tema. Sou publicitário e vejo muitos clientes perguntando o que se deve fazer para entrar nas redes sociais, mas não se fazem as perguntas necessárias de pq devem estar lá. Teve cliente que me perguntou qto custava para entrar no twitter…
Olá Pessoal!
Ótimo artigo Marisa,
Realmente é muito importante esclarecer que o Marketing Digital
não faz efeito sem que se tenha um mínimo de conhecimento
sobre como fazer para aplicá-lo na prática.
É como ter a melhor ferramenta do mundo e não saber usá-la
a seu favor.
Abraço e sucesso a todos.
Digite o texto aqui!
O artigo é extremamente interessante e tem muito a ver com a minha área de atuação. Meu cliente preza pela visibilidade de marca nas mídias sociais, principalmente. Porém, essa cultura ainda não é presente no local em que trabalhamos. Além do artigo, que deu um ótimo direcionamento, eu gostaria de saber onde encontro cases, pra ter um embasamento e relatos reais na hora de fazer o planejamento do meu cliente.