Do online ao offline: a realidade dos relacionamentos virtuais

Pela manhã me levanto e vejo o meu perfil no Facebook. Observo que minha mãe, que não mora comigo, deixou um recado em meu mural. Então, mando um SMS para ela dizendo que a noite estarei no MSN.
Logo depois, tomo meu café e entro no Twitter para ver como está o trânsito. Vejo qual é o melhor caminho a seguir e tuito dizendo que estou indo para o trabalho. Chego à empresa e abro o meu Skype para uma conferência com os meus chefes (que residem em Brasília).
Novamente recorro ao Twitter e pergunto sobre bons restaurantes, atualizo meu Orkut e vejo que uma amiga me deixou um recado me convidando para almoçar.
Estão vendo a complexidade quando o assunto são os relacionamentos online? A atualidade tornou a vida online indissolúvel de uma vida offline! Não estamos mais ON ou OFF estamos ON em tempo integral e vivemos em função disso.
Por quê? Somos ciberdependentes! Se estivermos sem internet não fazemos absolutamente nada! Não acessamos a conta bancária, nem namoramos, não descobrimos o último placar da rodada. Coisas que fazíamos em outros ambientes físicos e fragmentados podem ser feitos em um único lugar, dentro de um mesmo universo, o ciberespaço, que, sem barreiras, encurtou distâncias, desterritorializou os contatos e promoveu uma enorme teia de relações que se encontram nas conhecidas, atualmente, como redes sociais.
Não é a toa que a internet também é um símbolo de mídia social, uma vez que seu formato de comunicação permite a participação, colaboração e divulgação de todos para todos, quebrando o conceito unilateral de um produtor apenas para vários receptores.
Daí em diante termos como web 2.0¹ e até web 3.0² tornam-se comuns e, literalmente, enredam cada vez mais e mais pessoas que assumem uma nova identidade, a de internauta. Tuiteiro, orkuteiro, blogueiro e uma infinidade de novos avatares vão surgindo para definir o perfil de cada usuário que tem uma característica em comum: relacionar-se.
Por isso a ânsia crescente de mais e mais seguidores, mais e mais fãs, mais e mais pessoas com quem manter contato e tornar plataformas e ferramentas online mais humanas e, por que não, um ponto de encontro?
Afinal, os ambientes virtuais tornaram-se exatamente isso: ambientes! É o desprendimento de um espaço físico em comum, antes imprescindível para estabelecer contatos, e dependência universal e quase total das atuais mediações por computador.
Por exemplo, quem já não falou pra outra pessoa: ‘não te encontrei NO msn hoje!’ Como se o messenger fosse um lugar a ser freqüentado. Ou: ‘não te vi NO Orkut hoje’. Esse tipo de ‘confusão’, ou hábito, é comum com várias outras plataformas que permitem relacionar-se com alguém.
Vale lembrar que o termo relacionamento virtual ou online é levado tão ao pé da letra que interfere comportamental e sociologicamente, refletindo no mundo ‘real’. De traições, ciúmes, brigas online a procura de emprego, sem falar que a maioria dos trabalhos hoje dependem da internet como canal mediador.
Já havia profetizado o filósofo McLuhan que os meios de comunicação podem ser vistos como extensão do homem e que todos se relacionariam como que em uma imensa aldeia global. Tais conceitos têm se concretizado na atualidade com o uso indispensável e ciberdependete da internet.
Enfim, o mundo virtual é mais real do que parece e os relacionamentos ou contatos desenvolvidos nesse ambiente tornaram-se paralelos ao dia a dia de todos. Das profissionais a amizades, as relações no ciberespaço são obrigatórias diante de tanta interação, colaboração e cooperação, três conceitos que definem bem o que se desenvolve nesse espaço.
Notas
Web 3.0² – É a web semântica. Aqui os conceitos e o próprio termo vivem rodeados de polêmica, pois especialistas afirmam que a definição de web 3.0 é uma tentativa de impor às pessoas algo que ainda está longe (muito longe!) de existir. A Web 3.0 seria uma web mais organizada e, portanto, usada de maneira mais inteligente, de forma que todo o conteúdo já disponível na Internet fosse mais bem aproveitado. Assim, diferente da web 2.0, a grande novidade seria focada na estrutura dos sites e não nos usuários. Não seria mais preciso o uso de palavras-chaves em pesquisas, por exemplo, pois todas as informações se ligariam entre si.








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