Relacionamento com o receptor: o microjornalismo do Twitter

01.jul.2010 - Por em Artigos

Jornalismo é relacionamento. Pelo menos agora, na era da informação e tecnologia em que vivemos, tal fato tem se tornado cada vez mais evidente e necessário – muito necessário.

A cada nova mídia que surge, aumenta o medo dos meios de comunicação em perder o público consumidor. Foi assim quando o rádio e a televisão surgiram, e os jornais impressos temeram perder consumidores. Ou quando a própria televisão surgiu e atraiu pessoas que passaram de meros ouvintes a telespectadores. Mais recentemente, a internet amedrontou todos esses meios com a sua capacidade de convergir imagem, som e vídeo ao mesmo tempo, além da disponibilidade a qualquer hora.

Essas transformações dos meios de comunicação, como resultado da interação entre as necessidades percebidas, as pressões políticas e de competência e das inovações sociais e tecnológicas foram definidos como mediamorfosis, em 1997, pelo jornalista Roger Fidler.

O que essas mudanças provocaram no jornalismo exatamente?

As transformações na forma de relacionamento entre empresas de comunicação e seus receptores se acentuaram com a internet e a possibilidade de interação e relacionamento online. Os blogs, por exemplo, podem ser considerados pioneiros na busca por uma maior participação das pessoas no processo de criação informacional, pois sem um moderador para ditar qual o conteúdo a ser publicado – a não ser o próprio criador do blog –, o compartilhamento de informações toma proporções mais livres e diretas.

Em seguida, em uma tentativa de aproximar-se da proposta dos blogs, os sites jornalísticos passam a permitir que seus internautas/leitores tenham espaço para comentar as matérias. É claro que todo comentário postado, normalmente, passa antes por um moderador responsável por selecionar o que é “publicável” ou não.

Depois, um jornalismo mais colaborativo cresce junto com a internet e passa a ser considerado até mesmo mais uma modalidade junto com jornalismo cultural, político ou econômico. É o webjornalismo participativo, no qual o próprio internauta torna-se produtor de matérias, fotos e vídeos com informações jornalísticas. Sites como o G1, com o Vc no G1, e o portal Terra, com o Vc repórter, são exemplos de espaços dedicados exclusivamente para materiais enviados pelos internautas.

Um jornalismo objetivo, simplificado e direto, mas que não deixe de saber dos seus consumidores de informação o que eles estão querendo e achando dos conteúdos gerados, sempre foi a incansável busca dos jornalistas e meios de comunicação.

Tratando especificamente de todo esse processo e conteúdo informacional, não é de se estranhar, portanto, que TVs, rádios, jornais e até mesmo os sites tenham aderido ao que podemos hoje chamar de microjornalismo. O Twitter é um excelente exemplo, pois é uma plataforma que permite ao tuiteiro, seja ele um indivíduo ou uma empresa, falar e ouvir ao mesmo tempo, promovendo, assim, uma profunda mudança na comunicação e no acesso às informações.

O surgimento de microblogs como o Twitter, traz uma característica muito importante no jornalismo: a interatividade; que é um dos critérios de noticiabilidade no âmbito das redes sociais. A objetividade de 140 caracteres do Twitter, aliada à linguagem persuasiva, faz com que empresas jornalísticas se apropriem desta ferramenta para difusão de informações curtas e rápidas.

O que diferenciará a participação dos meios no Twitter é se a forma de relacionar-se com os seus seguidores resume-se apenas a uma interação pacífica, onde postagens de links para as notícias dos sites, as não-respostas aos replys e o despejo de informações sem pessoalidade em 140 caracteres traduz o mínimo de relacionamento que alguns perfis conseguem fazer.

É preciso mais: mais respostas aos replys recebidos, “retuítes” de informações e conteúdos relevantes gerados pelos próprios internautas, colocar de fato em prática o “What’s happening?” (O que está acontecendo?).

Não dá mais para ignorar que hoje o que ditam as pautas para os meios de comunicação tradicionais são os resultados de uma boa interação com os internautas, devido à atividade intensa e sempre online dos mesmos. O Twitter canaliza e ao mesmo tempo transforma todos esses conceitos de emissor-receptor quando, justamente, desmistifica a reação passiva dos receptores. Na verdade, o Twitter já alterou, mas ainda impulsionará muito mais a necessidade de um verdadeiro relacionamento entre jornalismo e sociedade.

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- Jornalista, editora, blogueira, tuiteira e apaixonada por poemas, pela vida on-line e pelo que ela proporciona. Redes sociais, mídias sociais, webjornalismo colaborativo e o caos midiático, em geral, são alguns dos assuntos que permeiam os pensamentos dessa guria.

3 Comentários

  1. midiaboom disse:

    Muita gente acredita que ainda estamos partindo para uma era mais acelerada da informação, mas isso já acontece hoje em dia e com bastante força.

    Podemos perceber o uso das mídias sociais e da tecnologia pelos jornalistas, essa semana saiu o LINKK da Folha de SP se não me engano todo em 3D.

    Muito bom post Daya!

  2. [...] Visit link: Relacionamento com o receptor: o microjornalismo do Twitter … [...]

  3. jaqueporto disse:

    Acho relevante este post, mas fico chateada do quanto ainda se pensa o mercado pelo poder da tecnologia da vez. Neste sentido, o twitter revoluciona alguma coisa? Não. Uma suposta revolução não se aplica pura e simplesmente na forma em como a mensagem está sendo enviada e percebida. Ela se aplica na qualidade da informação. E isso, não tem twitter que crie. O twitter é apenas uma ferramenta que pode ser até muito cruel, no momento em que muito mais pessoas têm poder ´para fazer circular coisas sem sentido. A verdadeira busca atual do jornalismo não deveria ser se relacionar mais e com mais pessoas e sim se relacionar com qualidade com as pessoas. Se eu não tenho informação de qualidade, com conceitos de apuração. diagramação e produção condizentes com uma postura ética, sem preconceitos e reflexiva, então, de nada me adianta ter um twitter. Não é informação circulando, é lixo circulando. É uma pena que ainda se preocupem tanto com a tecnologia e com linguagem aplicada a esta tecnologia e esqueçam-se de como desenvolver algo realmente de qualidade

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