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O Marketing Digital no atual cenário eleitoral

São notáveis as mudanças que a cada quatro anos temos no cenário eleitoral. O que há vinte anos não possuía tanto dinamismo e interação. Hoje, com os avanços da internet possibilitando fácil acesso às informações públicas, a relação do eleitor com seu político se torna muito mais direta.

Se sempre falamos que os perfis dos brasileiros como consumidores mudaram nos últimos anos, podemos também afirmar que os mesmos alteraram também suas posturas como eleitores.

O marketing, dentro deste contexto, também sofreu todas as alterações da sociedade. Hoje em dia, temos conceitos e segmentações em todos os âmbitos cada vez mais preocupados com a humanização, porém provenientes e baseados nos conceitos traçados em um passado não tão distante. Quem sabe é uma maneira de adaptar teorias às atualizações da nova era em que vivemos. Assim, antes de entrar no marketing eleitoral digital, é sempre bom relembrar o conceito de marketing eleitoral.

Conceitos de marketing eleitoral e sua segmentação digital

Para Manhanelli, o objetivo do marketing eleitoral é implementar técnicas do marketing político e da comunicação social, de forma a angariar a aprovação e simpatia da sociedade, construindo uma imagem do candidato que seja sólida e consiga transmitir confiabilidade e segurança à população, elevando o seu conceito em nível da opinião pública.

O marketing digital apareceu na conhecida Web 2.0, caracterizado como uma nova forma de troca de informações entre os internautas. Assim, os estrategistas de marketing nestas eleições, provavelmente buscam integrar as novas mídias com suas antigas ferramentas, como por exemplo, colocar programas de televisão dentro da Internet, devido o atual perfil dos eleitores, que buscam novidades, e, assim, a internet possibilitará uma presença mais atraente do político. Dessa forma, o meio digital não deixa de ser uma ferramenta para ajudar a atingir a imagem necessária para que o candidato possua votos suficientes para ser eleito.

Mudanças da eleição de 2006 para 2010 no contexto web

O meio que ainda pauta o cenário político brasileiro é a televisão, mas, com base em dados do IBOPE, podemos dizer que esse cenário está se transformando de forma contínua, e o Brasil já conta com mais 64,8 milhões de pessoas com acesso à internet no segundo trimestre de 2009.

Redes sociais como Orkut e Twitter são responsáveis por prolongar a permanência do usuário na web. Diante desses números, grandes cenários podem ser desenhados para as campanhas de 2010, especialmente às presidenciais.

Para Henry Jenkins, o YouTube, da forma que foi utilizado nos debates presidenciais norte americanos, marcou de vez a ruptura entre o tradicional e o novo. Cidadãos de todo o país enviaram vídeos para a CNN/YouTube com perguntas que seriam feitas aos presidenciáveis. Esse fato reforça a ideia do porquê que o YouTube é considerado o maior aglutinador de mídia de massa da Internet no início do século XXI.

Atuais pontos relevantes da eleição de 2010

As eleições presidenciais que levaram Barack Obama à Casa Branca ofereceram ao mundo das estratégias políticas um universo, antes não explorado, de possibilidades para divulgação de candidatos. No que diz respeito ao uso da Internet, podemos dizer que o ano de 2008 será lembrado e, com certeza, servirá de referencial e quadro comparativo para as futuras disputas, em especial as majoritárias (governador e presidente da república), pois possuem uma estrutura financeira maior, e, por isso, carregam condições de desenvolver estratégias que exijam mais recursos financeiros.

Quanto às campanhas proporcionais (senadores, deputados estaduais, distritais e federais), seguem meio que à sombra das majoritárias. Candidatos proporcionais tendem a usar e estruturar campanhas maiores para terem mais espaço em programas de televisão, confecções de materiais gráficos, dentre outros aspectos de divulgação.

Um dos grandes equívocos que está presente em meio às decisões dos estrategistas dessas campanhas de 2010 é pensar que a Internet definirá as eleições no Brasil. A população brasileira não utiliza Internet como os americanos; então, pensar que o efeito Obama definirá os rumos das eleições no Brasil é um erro.

É a primeira vez que as eleições presidenciais no Brasil assumem uma configuração tão virtual. Muitos candidatos apostam na audiência da Web e há aqueles que pretendem mudar os números em pesquisas por meio de estratégias por essa mídia.

Apesar da necessidade de conscientização de que a Internet é uma ferramenta nas atuais campanhas eleitorais, não devem se basear apenas nisso. O marketing digital é tão importante quanto quaisquer outras segmentações, e precisa ser utilizado em parceria com outras ações.

Não basta apenas introduzir novos conceitos e estratégias se a cultura da sociedade não se altera. O fato de as pessoas estarem mais conectadas não muda a realidade da falta de oportunidade e ignorância de alguns. É certo que o perfil do povo brasileiro tem se alterado nos últimos anos, inclusive para um progresso considerável, porém, ainda não o suficiente para a cultura cibernética ser determinante em suas ações.

Provavelmente, somente no próximo pleito majoritário, o país experimentará maior participação dos internautas no processo de decisão das eleições.

Para saber mais sobre o assunto:

Post em colaboração  de Jorge Lima, pesquisador e assessor político com formação em filosofia, relações públicas e pós graduado em Docência do Ensino Superior.


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Um comentário

  1. Roger Cavalares
    Comentário do dia 10/8/2010 às 11:59

    Certamente os usuários de internet ainda indicam uma pequena parcela dos eleitores brasileiros, porém, esse canal aberto entre os candidatos e o “povo” é sem dúvida um grande avanço no marketing político.

    As possibilidades de uma ação na internet e sua capacidade de disseminação podem decidir alguns pontos sobre o candidato. Lembrando que esse pequeno nano-nicho de twitters e bloggers ja conseguiram levar às midias de massa assuntos que surgiram na internet.

    Sabendo como atingir esse nano-eleitorado de forma assertiva, sem dúvidas o marketing político só tem a ganhar.

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  4. Por Tecnocrata Digital em 12/08/2010 às 2:25 PM

    Google agora veiculando publicidade na televisão…

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