Falta digestão! A contemporaneidade que nos viciou em fast-food agora nos vicia em fast-news

12.ago.2010 - Por em Artigos

No texto Do online ao offline: a realidade dos relacionamentos virtuais, falei sobre a ciberdependência que permeia os nossos dias de um ponto de vista otimista, atrelado e indissolúvel de uma vida offline. Real e virtual se misturam e tornam-se parte de uma rede de contatos e variados tipos de relacionamentos.

Mas a aceleração do contato que temos com a multiplicidade enorme de informações que as novas tecnologias nos trazem, aliadas aos meios de comunicação, geram um desconforto, uma espécie de saturação. É o que Renato Fonseca de Andrade, autor de “Conexões Empreendedoras – Entenda por que você precisa usar as redes sociais para se destacar no mercado e alcançar resultados”, chama de hiperinfodose. O autor continua definindo o neologismo quando diz que o ‘fenômeno’ acontece muitas vezes porque não somos capazes de colocar um filtro nas informações que estão à nossa disposição.

Outros neologismos criados pelo Dr. Ryon Braga, consultor educacional, em seu artigo “O Excesso de Informação – A Neurose do Século XXI”, também retratam o outro lado da tal era da informação em que vivemos. Os cybercondríacos, por exemplo, são os hipocondríacos em uma versão digital, ou seja, pesquisam os sinais e sintomas das doenças na internet e passam a acreditar que a possuem. O pior é quando pesquisam sobre o tratamento e passam a se automedicar. Os dataholics, termo criado pelo professor Sabbatini da Unicamp, designa pessoas que são “viciadas em informação”. Elas só se sentem seguras após lerem a mesma informação em quatro ou cinco fontes, pois precisam checar a veracidade da mesma.

A bulimia informacional caracteriza-se pela necessidade compulsiva de coleta de informações, cada vez em maior quantidade e de forma pouco criteriosa. O bulímico informacional não se preocupa com a qualidade da informação da qual “se alimenta”, mas sente uma enorme necessidade de ficar sabendo de tudo o que se passa nas áreas em que atua. Já a obesidade informacional se apresenta como uma oposição a bulimia informacional, que nesse caso, refere-se ao excesso de informação desnecessária ou pouco relevante, e ao se acumular, prejudica a efetivação do aprendizado relativo às informações que realmente seriam úteis ao indivíduo.

O excesso de informação digital, a fast-news, revela que existem informações demais e pouco tempo para seu consumo. Mostra ainda que informação não é conteúdo. Informação são dados que precisam ser transformados em algo mais substancial evitando, assim, conclusões sem fundamento, precipitadas e análises superficiais.

O que fazer então para evitar qualquer uma dessas doenças virtuais que geram anomalias e impedem bons relacionamentos e empreendimentos na grande rede?

  • Selecione algumas pessoas que são referências na área e seus sites sobre os assuntos do seu interesse e os leia periodicamente. Assim você não perde tempo e não se dispersa diante de outros sites. É importante não ficar atrelado a um número apenas, mas a qualidade e visitar as referências apontadas pelos seus escolhidos;
  • Desconfie de tudo, tudo mesmo, que você absorve na internet. Transforme as suspeitas em pesquisa. Você irá aprofundar no assunto e descobrir outros lados sobre o tema;
  • Tenha critério ao se relacionar em qualquer rede social ou ao ler qualquer informação. Aquela velha máxima “quantidade não é qualidade” é ainda mais válida agora, em tempos em que vivemos uma aceleração da absorção de informações;
  • Por último uma sugestão bem pessoal: escreva as impressões que você tem a partir das informações que absorveu e as compartilhe, se quiser. Assim você também compartilhará conteúdos, gerará debates e não ficará enfadado com tudo o que sabe e absorve.

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- Jornalista, editora, blogueira, tuiteira e apaixonada por poemas, pela vida on-line e pelo que ela proporciona. Redes sociais, mídias sociais, webjornalismo colaborativo e o caos midiático, em geral, são alguns dos assuntos que permeiam os pensamentos dessa guria.

6 Comentários

  1. [...] The rest is here: Falta digestão! A contemporaneidade que nos viciou em fast-food … [...]

  2. @andretelles disse:

    Dayane,

    Muito bom o artigo. Adorei os neologismos dataholics, bulimia informacional e cybercondríacos. Quanto mais analisamos a cibercultura mais percebemos a necessidade de filtros.

    Parabéns!

  3. Dayane disse:

    Mto obrigada, Andre Telles!

    Os neologismos são mesmo muito interessantes! O tema é reflexivo e o debate sobre o mesmo é necessário! Vamos a pauta, né?!

    ;*

  4. Renato disse:

    Dayane, super legal o texto. Parabéns e obrigado pela citação.
    Um abraço!
    Renato (do Conexões)

  5. Rafael Lima disse:

    Muito bom esse artigo, vai faze parte da bibliográfia do meu trabalho sobre divulgação científica “flash”, por abservar que ultimamente se divulga tanta informação que se torna difícil agregar tudo ao conhecimento do cidadão.

  6. Noemy disse:

    Eu gostaria de obter a referência do artigo citado por você de Braga: “O Excesso de Informação – A Neurose do Século XXI”. Seria possível?

    Obrigada.

    Noemy.

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