A Guerrilha no Jornalismo 2.0

Ações de guerrilha são inusitadas e recebem uma atenção bem diferente da mídia convencional e até do público que já está acostumado a pequenas promoções no ponto de venda ou interceptações mais simples.
Mas, e quando somos atingidos por uma ação que não esperamos e aquilo quebra totalmente a nossa rotina? Se essa ação envolver um carro desgovernado que atinge uma loja de roupas infantis será um grande burburinho. Mas nem sempre isso é uma ação de verdade e não passa de um acidente corriqueiro.
Esses dias, um carro invadiu uma loja em Goiás. Seria somente mais um acidente se a notícia não tivesse sido comunicada por dos criativos da agência em um brainstorm. A foto abaixo é da notícia em questão.
Mas, como havia dito, a matéria surgiu em meio a um processo de brainstorm. Foram abordadas algumas situações de acidentes de proporções similares e em nenhuma havia os mesmos padrões do demonstrado na imagem acima.
Veja a imagem abaixo com algumas marcações, que explicarei a seguir.

Se você observar as marcações, a primeira seta em vermelho aponta para a vidraça acima de onde o carro desgovernado invadiu a loja. Ela está intacta, e a da esquerda também está da mesma forma. No momento da invasão, por mais que a velocidade do carro fosse baixa, o impacto do carro quebraria ambas, ou pelo menos uma das vidraças.
Já abordando o círculo em amarelo, seriam os cacos de vidro do impacto e vidraça quebrada, mas não há nenhum caco, por menor que fossem. E não há sinal de marcação de isolamento de área pela polícia, para evitar mais acidentes com os pedestres que estão em volta do carro.
E para finalizar essa primeira parte. A seta verde indicaria marcas de pneu no momento de frenagem do carro, mas isso também está faltando. Por mais que houvesse um problema nos freios, haveria alguma derrapagem, freios e até algum pedaço do carro ao bater na guia e também na parede da loja.
Podemos também frisar que o carro tem a aparência de ser novo e somente se houve uma falha muito grande do motorista tal acidente poderia ocorrer.
A guerrilha no caso entraria no momento em que uma empresa fosse divulgar um possível produto ou serviço. Fiquei me perguntando que tipo de produto ou serviço poderia ser divulgado desta forma. Seguro de carro e também de propriedades me vieram em mente. Seriam serviços facilmente consumíveis para a ocasião.
Com o artifício do jornalismo 2.0, ações desta forma são facilmente divulgados por sites de notícias, talvez sem nem ao menos verificar o que de fato ocorreu. Nós consumidores temos esse poder de gerar pauta para veículos de notícias que estão à procura da nossa participação cada vez mais.
O site que veiculou essa notícia foi o G1.com. Um dos sites mais visitados no Brasil e que facilmente atinge vários nichos e públicos. A veiculação e exibição para milhares de pessoas foi praticamente gratuita. Veja a matéria aqui.
Fazendo uma análise mais detalhada e pesquisa, poderíamos buscar saber se foi veiculada em outros sites alguma nota, foto do acidente e mais dados.
Aos olhos publicitários, um “acidente” como este seria facilmente passado por ação de guerrilha, atingindo um público grande e demais pessoas que veriam somente a informação noticiada por trás da ação de guerrilha.
E então, para você poderia ser uma ação de guerrilha ou somente uma notícia como outra qualquer?
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As ações de guerrilha são tão chamativas – ou deveriam ser – que os benefícios ou a marca do cliente acabam sendo estampadas em algum momento. Não há razão de fazer uma guerrilha com uma puta oportunidade de mídia expontânea, fragmentada em dois tempos, afinal, ninguém gosta de "ráá, pegadinha do malandro" né!?
Nesse exemplo ainda não consegui abstrair o anunciante, mas como vc comentou, uma empresa de seguros viria a calhar.
Quando os criativos forem pensar em guerrilha, não podem esquecer o principal: a cambalhota que leva até o anunciante, senão ela será fazia e sem propósito. Lembram das caixas de madeira espalhadas no Rio, que fizeram até o esquadrão anti-bomba isolar a área? Muito diferente dessa aqui, da RedBull, também com caixotes de madeira: http://migre.me/3TgQi, por exemplo.
Vale a reflexão de como temos planejado as guerrilhas e a eficiancia/retorno que elas tem!
Fala Schneider.
Pois bem cara, na realidade, essa não é uma ação de guerrilha, mas sim uma notícia sobre um acidente real e que surgiu o comentário a respeito numa reunião de brainstorm aqui na agência, aí começamos a analisar alguns pontos incomuns e que coloquei no post.
Mas seria muito interessante se fosse realmente uma ação.
Não podemos somente pensar na cambalhota, mas também na oportunidade e momento para lança-la. Quem sabe adiantar para pegar uma boa oportunidade que está acontecendo ou atrasar também, como deveria ter sido feita no caso da caixa de madeira no Rio, já que estava rolando uma grande ação da polícia.
Valeu pelo comentário cara.
Há uma ação de guerrilha muito interessante feita pela Glóbulo em Chapecó, que criou toda uma história e movimentou a cidade inteira durante 2 dias apenas. Mídia tradicional utilizada? Apenas 5 outdoors. De apoio foram um hotsite, telefone, orkut, facebook e um cartão de visita.
Vale a olhada: http://globulo.com.br/blog/inovacao/como-revoluci…