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Eu não escrevo errado, apenas diferente.

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A humanidade, desde a sua gênese, cria e instrumentaliza ferramentas de comunicação que facilitem e potencializem o envio e recebimento de mensagens. Dessa forma, a comunicação figura como um dos principais fatores de conjuntura na formação de sociedades e interação entre indivíduos. Percebemos assim que, com o passar dos tempos o ser humano modifica a sua forma de comunicar-se, sempre de forma otimizada e criativa. Nos tempos atuais, não é diferente.

1358746887_143176434A humanidade, desde a sua gênese, cria e instrumentaliza ferramentas de comunicação que facilitem e potencializem o envio e recebimento de mensagens. Dessa forma, a comunicação figura como um dos principais fatores de conjuntura na formação de sociedades e interação entre indivíduos. Percebemos assim que, com o passar dos tempos o ser humano modifica a sua forma de comunicar-se, sempre de forma otimizada e criativa. Nos tempos atuais, não é diferente.

Na língua portuguesa, por exemplo, essas mudanças são constantes. Seja nas reformas ortográficas existentes ao longo dos anos ou na incorporação de termos da internet ao dicionário (como o verbo tweetar, por exemplo) a nossa língua mãe vem evoluindo com o tempo. Assim, podemos analisar dois lados dessa moeda. O primeiro é o conceito de evolução. De um lado, podemos ver a evolução como um desenvolvimento da língua que facilitará o sucesso na comunicação. Por outro lado, podemos analisar a evolução apenas como uma mudança de estado. Nesse sentido, a língua passa a sofrer apenas transformações, não melhorias.

Uma curiosidade sobre a língua portuguesa é que nos primeiros séculos da nossa história, ela não era a nossa língua mãe.  A língua portuguesa, propriamente dita, só foi utilizada de forma efetiva a partir da segunda metade do século XVIII. Nos primeiros séculos, tínhamos em nosso meio uma língua “inventada” pelos Padres Jesuítas da época, portanto artificial, como a internet.  O idioma foi denominado como LÍNGUA GERAL. Termo utilizado na primeira gramática escrita no país. O Nheengatu, denominação da língua em Tupi, ainda é falado em cidades do estado do Amazonas.

Algo importante de destacar sobre o que se escreve na internet é: Não existe uma linguagem diferente na rede. As mudanças existentes são na ortografia, não na linguagem. A linguagem é a mesma utilizada offline. Por exemplo, ninguém contrai palavras no mundo offline como na internet. Por exemplo:

“Vecê vai cmgo amh na praia? N? Ok, abs.

Você não fala assim, não é? :)

Muitos justificam essa “nova forma de comunicar” como fruto da pressa e da falta de tempo atual do nosso dia-a-dia, mas isso também é contestado. Basta dizer, que a abreviatura da palavra “você” existe e pode ser utilizada. O termo correto é “V” , ainda mais curto que o “VC” utilizado. Outras formas como o “EH” são utilizadas desde a Idade Média, já que o acento foi uma forma de tonicidade criada pela imprensa. Nesse cenário, podemos perceber que as mudanças e contrações da língua não são ligadas apenas ao mundo da internet, ela é transformada constantemente. O que vemos é uma utilização dela como uma identidade de certo grupo. Como os rappers  e o surfistas têm as suas.

Assim, percebemos que as terminologias utilizadas na internet não são erradas e caracterizam um público, apenas isso. Mesmo que a grande rede influencie em costumes e atitudes fora dela, a linguagem, ou mesmo o idioma, permanecerá com a sua evolução normal e pouco pilotada pelos novos meios. Da mesma forma que você não vai falar “mermão” para um entrevistador no emprego, você não vai dizer “por obséquio” em um chat no Facebook com aquela gatinha. Tudo é questão de situação. Escrever de forma correta e de acordo com a norma culta e/ou coloquial da língua é fundamento básico para qualquer profissional. Isso é de grande valia para qualquer seleção de emprego., mas quanto a isso falaremos em outro artigo. Coisa para um próximo papo. :)

Sobre o Autor

João Augusto Limeira

João Augusto Limeira é um potiguar todo cosmopolita. Trabalha com comunicação digital há 6 anos e é pesquisador em cibercultura. Ouve desde o rock dos anos 50 até os hits mais atuais do rádio com ênfases em tudo aquilo que faz o seu pensamento chegar o mais longe possível. :)

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