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O Desconhecido Potencial dos Desconhecidos

A cada dia que passa vejo mais blogueiros postarem sobre empresas e produtos, serem convidados a visitar lugares, receberem presentes e produtos para testar. Isso se justifica porque esses blogueiros são considerados influenciadores, ou seja, seus posts são lidos por muitas pessoas, recebem muitos comentários e o conteúdo deles em geral se espalha rapidamente pela internet, demonstrando claramente sua relevância e influência.

Como essas pessoas tem “voz” na internet, valem muito mais para uma marca que está trabalhando sua presença em mídias sociais do que alguém que é um grande consumidor do seu produto mas não é “conhecido” nas redes.

Acho que tem tudo a ver, por exemplo, o blog  Viajando com Pimpolhos ser convidado a conhecer o Centro de Manutenção da Gol. Porém, quando me lembro dos últimos casos de grande repercussão negativa, como o da Brastemp, o da Renault e o da Arezzo,  vejo que essas campanhas em geral começam com pessoas comuns, como eu e você. Claro que em algum ponto elas atingiram alguém de maior influência que fez com que a história se espalhasse, como o Marcelo Tas, no caso da Renault.

Mas isso me faz pensar onde uma marca poderia chegar se ao invés de trabalhar os influenciadores já existentes, trabalhasse para criar novos influenciadores, dando instrumentos e voz para essas pessoas.

A Diana Pádua, em artigo recente aqui no blog, deu o exemplo da Lego, que construiu suas próprias plataformas digitais para se aproximar de seus fãs. A Pritt faz uma campanha no seu site incentivando a participação dos pais e educadores na formação dos filhos, e convida quem quiser a ser um embaixador da marca.

Penso por exemplo no potencial do mercado de mães, do qual faço parte menos ativamente do que gostaria. Empresas de alimentos infantis, fraldas, cadeirinhas, mamadeiras etc poderiam criar instrumentos eficazes para que mães se comunicassem entre si. Convivo com muitas mães que não estão em redes sociais mas se comunicam bastante por e-mail, trocando informações e dicas sobre saúde, passeios e produtos para crianças. Por que não fomentar isso em ambientes liderados pelas marcas?

Eu acredito que muitas pessoas têm potencial para se tornar influenciadoras. Muitas vezes elas não possuem os instrumentos, o tempo ou o incentivo necessários, e algumas vezes se tornam influências mesmo sem estar buscando isso.

Cabe a nós olharmos para os negócios dos nossos clientes e descobrirmos onde está esse potencial adormecido de desenvolvimento. Eu acredito realmente que a construção de comunidades em torno de um tema e/ou marca podem ser valiosos para os tempos de Marketing 3.0 em que valores contam e algumas empresas já olham para o consumidor como um contribuinte na criação de produtos.

Convido você a comentar aí embaixo sobre ações em mídias sociais além da presença nas principais redes e relacionamento com blogueiros. Eu adoraria conhecer mais exemplos de comunidades que foram criadas ou fomentadas por marcas fora do Orkut ou do Facebook, e outras histórias que fogem da aposta em relevância e influência. Sabe de alguma? Compartilhe!

Sobre o Autor

Marisa Lemos

É apaixonada por internet e trabalha em marketing digital há 6 anos, com foco em planejamento de marketing, comunicação e mídias sociais. Atualmente está na FSB PR Digital, trabalhando com monitoramento e relacionamento em redes sociais.

5 Comentários

  • Excelente texto e é realmente curioso, para dizer o mínimo, como todas as campanhas começam com os ilustres desconhecidos, para terminar com conhecidos ilustres na TV, após o "booter" das redes sociais. Mais uma vez, grande texto. Parabéns.

    • Emanuel,

      Valeu pelo comentário! Hoje em dia tudo que acontece nas redes sociais vira pauta e acaba na TV, né? Aliás, isso é um bom tema para um artigo também.

      Um abraço e obrigada!

  • Ótimo insight, Marisa!

    Outro dia, vi uma discussão no Facebook de uma blogueira conhecida reclamando que ela, ainda que tratada como grande influenciadora, ainda têm casos de assessorias que a tratam sem nenhum cuidado.

    Nessa discussão, uma opinião dava conta de que "no futuro não haverá distinção entre jornalista e blogueiro. A não obrigatoriedade de diploma para jornalista já sinaliza um pouco nesse sentido. O blog é só um dos vários canais disponíveis."

    Acredito que o relacionamento deve ser muito bem fomentado e acompanhado em vários níveis de influência, seja com a imprensa oficial, seja com os blogueiros, seja com os consumidores.

    Um abraço,
    @New_Alexandria | @DrConteudo http://drconteudo.com.br

    • Valeu, Newton.

      Sem dúvida o relacionamento com os consumidores ainda tem muito a evoluir, até porque muitas empresas ainda não integram seus canais de forma adequada, deixando o consumidor meio perdido.

      Acho que as redes são ótimas ferramentas (ou plataformas) para ajudar isso a acontecer. Vamos ver como isso evolui – e participar também da evolução!

      Abraço!

  • Gostei da reflexão, Marisa!
    E obrigada por ter nos citado como exemplo. Realmente, penso que existem dois focos hj: os blogueiros influentes (ou menos, porém com potencial) e os ilustres Desconhecidos, mas que juntos têm muito potencial também. E isso é mágico hoje: todo mundo tem a sua chance de ser ouvido. As empresas que souberem lidar com isso já dão um super passo à frente! O que mais me espanta são empresas que nem nas redes sociais estão (existem várias!) e que continuam lidando com o público de forma clássica. Para essas, a sua reflexão passa longe!
    Ou como vc disse, os canais não estão integrados de forma adequada: imagina que recebi um super kit de Dia das mães, para mim e minha filha, mas a empresa em questão não tem um twitter oficial – nada no site, no blog…potencial perdido, empresa aplicando mal os seus recursos!

    Senão como exemplos de empresas que se adaptaram à reação do público, dos clientes desconhecidos, tem o recente exemplo da Arezzo ou a logomarca da GAP.

    Bjs,
    @viagempimpolhos

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