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Tecnologia e indignação: Uma união redentora

As armas estão mais móveis que nunca

Vivemos uma revolução proveniente da internet chegando às ruas. Mas como isso é possível? E como se dá essa junção de valores, crenças e interesses em prol de um mesmo objetivo?

As armas estão mais móveis que nunca

Vivemos uma revolução proveniente da internet chegando às ruas. Mas como isso é possível? E como se dá essa junção de valores, crenças e interesses em prol de um mesmo objetivo?

Para entendermos essa questão, é importante lembrar que as redes sociais são essencialmente offline, ou seja, antes de existirem as plataformas digitais, a sociedade sempre foi organizada de acordo com interesses e objetivos comuns de cada indivíduo. Seja ela em família, amigos, empresa, entre outros. Dessa forma, podemos identificar o fenômeno da organização das reivindicações como pilotada por plataformas digitais, já que as redes já existem na sociedade.

Com o advento da internet, esses indivíduos, com seus interesses e reivindicações, começaram a visualizar e identificar outros que tenham ideais semelhantes e pensamentos que possam ser a intercessão que faltava entre eles. Mas mesmo assim ainda faltava algo para tornar isso fato e não mais apenas um ideal, a força. E onde estaria essa força? Na rede.

A massa tem poder e quando esse poder é canalizado, nesse caso pelas plataformas tecnológicas, tudo se torna mais organizado. Tendo a internet características intrínsecas a ela como instantaneidade, compartilhamento facilitado, mobilidade da informação e por ser ela uma rede mundial, os movimentos organizados que utilizam suas ferramentas não são isolados e, por sua vez, inspiram e ensinam revoltas em potencial por todo o globo. Exemplo disso, são as manifestações nos países árabes, movimentos contra corrupção no Brasil e o chamado “Movimento dos Indignados” por todo o mundo. Movimentos como esses modificam até mesmo a cultura de determinados países, já que mostram um poder que até então era desconhecido. Essa realidade nos faz pensar em um mundo virado ao avesso, já que muitos países no terceiro mundo estão com economias sólidas apenas assistindo a crise e as manifestações dos países desenvolvidos. Mas a que se deve esse novo cenário?

É interessante perceber que a população dos países subdesenvolvidos já está habituada a manifestar-se e, mesmo que não atendidos, criaram uma cultura crítica sólida e que muitas vezes transforma uma sociedade até na sua auto-estima frente aos outros países. Por sua vez, para os países desenvolvidos esse tipo de manifestação é novo. Já que a “ausência de problemas” fez de seus habitantes conformados com a situação vivida e sem a necessidade de mudança. Movimentos sociais em prol de um objetivo comum são sempre bem vindos, já que sempre buscam a melhoria de vida de alguma forma . Mas é importante ressaltar que para fazer uso da tão sonhada liberdade de expressão é preciso solidez em seus ideais, bom senso e discernimento para protestar de uma forma que destaque-se apenas a necessidade de mudança, e não a violência muitas vezes usada para tais fins.

Sobre o Autor

João Augusto Limeira

João Augusto Limeira é um potiguar todo cosmopolita. Trabalha com comunicação digital há 6 anos e é pesquisador em cibercultura. Ouve desde o rock dos anos 50 até os hits mais atuais do rádio com ênfases em tudo aquilo que faz o seu pensamento chegar o mais longe possível. :)

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