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Quantos clientes você precisa?

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Escrito por Iuri Brito

Existem três tipos de empresas (e pessoas). As que fazem as coisas acontecer, as que ficam vendo as coisas acontecer e as que se perguntam: – O que aconteceu?

Philip Kotler

Oi oi oi! Parece tão fácil falar de cliente, não é? Na teoria então… nossa! Quando alguém resolve falar, mais pensamos no quanto custa (preço)), se demora (prazo), é realmente bom (qualidade), ou mesmo quanto ganhamos (lucro), não é mesmo?

Quem ligou esse botão de pensamento automático, que nos impede de pensar e fazer perguntas como: Opa! Eu quero mesmo fazer esse projeto? Esse é o cliente que eu gostaria de ter? Quantos desses eu preciso? Ou até quando vou ficar no fazer, fazer e fazer?

Quem colocou você no automático para fazer primeiro sem pensar o que vai acontecer com o seu tempo? E para piorar… sabemos que sem tempo, sem criatividade e sem inovar, paramos! E quando para a concorrência logo chega, e o cliente… sai! Engraçado que parece já ter ouvi isso antes. E você? Quem já esteve nessa roda?

Pois bem, para resolver tudo isso, que tal voltarmos lá no começo.
Sim, para tudo e vamos voltar ao principio de tudo…

Você está preparado para mudar sua vida?

Para começar nossa conversa, responda, mas com sinceridade: quantos clientes você precisa para ser feliz? E olhe que felicidade para mim é fazer o que gosta de fazer, com a qualidade que você exige, para clientes bacanas que você tem orgulho e que pagam realmente bem por toda a sua dedicação e empenho. Vamos lá… quantos? Quantos clientes?

Se você não faz a mínima ideia. Achou o problema de tudo. Mas caaaalma. A resposta é simples.
Apenas 10. Sim 10 clientes! Tudo que você precisa são 10 clientes bacanas, que ofereçam desafios a sua competência e que possam pagar pelo seu talento.

Falando até parece simples certo? Afinal, quem não quer isso? Então para cortar logo esse blablabla, aqui vão 4 passos para você chegar a esse mundo ideal. Quer ver?

1. Tudo o que você precisa são dez clientes

Primeiro passo, quantos clientes atualmente você tem? 2 ou 50? Para mim não importa.
Se você tiver 2, corra para ter 10. E corra entenda como desconto, negócio da china ou presente mesmo. Você tem que ter 10 a qualquer custo. Do contrário, se você já possui mais do que dez… a hora é de pensar, revisar e saber quem são os 10 melhores e como conseguimos viver com eles.

Essa fase vamos chamar de prospectar. Seja no mercado (mais clientes) ou interno (escolhendo 10), o momento é de escolher quem vão ser os nossos primeiros 10. Ok?

2. Conquistando, você precisa cuidar

A segunda fase do negócio, chama-se, atender. Sim! Se você tem 10 clientes, faça o favor de ser o melhor para eles. Sem diferença, sem exclusão, seja, exija e garanta o melhor. Faça dos seus 10 a sua seleção. Equipe, projetos, produto. Tudo o melhor. E se alguém perguntar ao seu cliente como você é, não aceite nada menos que o melhor. Combinado?

Tendo os 10 clientes, agora você deve ser o melhor.

3. Vamos trabalhar, melhorar e evoluir?

Temos 10 clientes, yes! (comemore) . Para melhorar os 10 estão felizes. Então chegou a hora de conhecer mais e mais cada um, levantar oportunidades, aumentar a compra e ampliar nossa produção…

A hora é de crescer. Mas vamos juntos, vamos rápido, crescer, crescer e crescer. Quando clientes felizes encontram uma empresa de talento, tudo anda muito mais rápido.

Se nossa visão é evoluir, vamos fazer dos nossos 10, os melhores.

4. E quando chega a hora de revisar?

Vamos agora imaginar o seguinte, que você está a 6 meses com seus clientes, crescendo, melhorando e por pura sorte ainda tem a opção de 3 clientes que querem comprar de você. E agora, o que fazemos? Aumentamos para 11? Quebramos a regra? Esquecemos do cliente?

Antes de ligar para o Iuri, lembre que se o trem parou, a fila anda. Seja por um novo projeto, um cliente que está no limite ou mesmo um dos 10 que não traz mais aquela alegria para a sua equipe…
Vamos revisar. Mas lembre, nesse trem só entra um novo cliente, se você abrir mão de um velho. Pessoalmente, sugiro fazer no máximo duas vezes ao ano. Assim você valoriza quem está com você e também cria uma rotina para avaliar com calma novos caminhos e oportunidades.

Nossa como ficou mais simples de pensar, não? Agora o seu mundo mudou. Você não está correndo por clientes, mas sim buscando oportunidades ainda melhores, do que as que você tem.

Quer um resumo?

  • 1. Você vai buscar os seus dez clientes (como preferir)
  • 2. Você vai atender e ser o melhor para esses clientes.
  • 3. Vamos evoluir com esses clientes ou chamar novos.
  • 4. Para no fim do ano, revisar quem fica, quem chega e quem sai.

Quer alguns exemplos práticos?

1. O iniciante: Não tenho nenhum cliente mas quero me dedicar e evoluir. Que devo fazer?

O desafio é chegar a dez clientes, certo? Se for para mostrar trabalho, até não ter lucro, vale. Primeiro precisamos de dez clientes. Com dez + você, temos um time de 11 jogadores em campo.

2. Estou com 10 anos de mercado, tenho meus clientes mas cada dia é uma loucura.

Provavelmente você já passou dos dez. Mas a sua rotina louca não deixa você olhar cada cliente com calma, ver oportunidades e oferecer o melhor para cada. E sobre o melhor, entende-se o seu melhor produto, mais inovador, com mais lucratividade e resultado para o cliente. Então, puxe o freio de mão e escolha os seus dez. E pode avisar a equipe que agora esse é o mundo deles.

3. Tenho um comércio, vendo por volume, para mim mais é mais.

Adoro esse exemplo. Quanto mais você vende, mais pessoas trabalham, maior sua estrutura, mais custos e mais você tem que vender, certo? Pare um pouco e pense. Como posso fazer meu negócio mais simples, mais rápido e mais lucrativo, vendendo o que tenho apenas para 10 compradores?
Logo após você responder o como, já vai estar na rua colocando em prática.

Meu caso preferido

Marina é uma amiga querida, psicóloga e formada em educação. Odiava trabalhar no RH de uma multinacional no Brasil, mas pelo salário, sempre esteve confortavelmente amparada. Seu sonho e talento? Escutar as pessoas e ajudar a resolver seus desafios e crescer como profissional.

Por ironia, há 3 anos conversamos sobre esse tema e ficou para mim a tarefa de apoiá-la. Como apoio não é trampolim para um abismo, meu trabalho era o de ajudar a Marina sem mandar sua carreira atual para o espaço. Qual a solução?

Indiquei que ela iniciasse, entre amigos, um programa de apoio profissional, ao custo de R$ 100,00 ao mês, para ajudar a pessoa a melhorar profissionalmente. Valia ver metas pessoais, foco no trabalho, corrigir pequenos vícios ou as vezes, apenas conversar. Ela iniciou rápido, com 6 amigos, e os outros 4, fechou a R$ 50,00 para fechar os 10. Trabalhando aos sábados, revisando mini tarefas durante a noite, ela foi conciliando sua carreira com seu novo hobby.

Não preciso descrever a paixão com que ela trabalhava e logo recebeu novos convites. Mantendo o foco nos 10, ela respondia que sim, desde que pagasse R$ 200,00 ao mês pois ela teria que desfazer de um dos seus clientes. E podem acreditar, normalmente o cliente antigo subia o valor para ficar. Para resumir a história da Marina, 3 anos depois, vários convites para ser sócia de consultorias, escritórios de gestão de pessoas, ela largou sua carreira de funcionária e hoje atende, pessoalmente (com ajuda de uma secretária), seus 10 clientes-amigos.

A última vez que falamos foi em NY onde ela fazia compras com uma amiga-cliente promovida há 30 dias. Para quem quiser trabalhar com a Marina, o foco é executivas, das quais cobra R$ 3.000,00 ao mês e pede para lembrar que se você entrar, algum cliente atual vai ter que sair.

Gostou? Agora sua vez. Conte deu caso, opinião, sugestão ou contribuição.
Vamos tornar isso mais interessante. Vamos conversar?

Sobre o Autor

Iuri Brito

Iuri Brito, o @GoUp no Twitter, é publicitário, mestre em planejamento, fundador da agência digital prumos.com e prêmio Talento Empreendedor. Hiperativo, vive hoje em New York e São Paulo.

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