O buzz da Opinião Pública na Propaganda

10.mar.2011 - Por em Artigos

Os propagandistas, em nosso sistema democrático, são responsáveis pela liderança da opinião pública. Em uma democracia, a liderança de opinião é descentralizada e o próprio indivíduo é levado a escolher. Portanto, é necessário estabelecer os melhores padrões de concorrência propagandista e assumir a responsabilidade do que fazemos.

Antes de tratar de propagandas, vamos entender o que é opinião pública. Segundo Cândido Teobaldo, é uma área de entendimento comum das pessoas que constituem o público, após ampla discussão da controvérsia levantada à base de considerações racionais.

Outra definição é de John Dewey, que em sua obra The Public and its Problems diz:

“… opinião pública é o julgamento formado e levado em consideração por aqueles que constituem o público e diz respeito a negócios públicos”.

O vídeo abaixo demonstra o segmento da opinião pública na propaganda.

O que me chama atenção no vídeo são os comerciais. Um deles mostra a propaganda de uma cerveja: diversão e animação. Outro mostra as conseqüências negativas que a cerveja pode trazer para o consumidor. Este último foi desenvolvido pelo Ministério da Saúde.

Hoje não existe mais o comercial do Ministério da Saúde. Qual seria o motivo?

O professor de sociologia Oswaldo Oliveira Santos Junior, da Universidade Metodista de São Paulo diz que os interesses capitalistas acabam sobrepondo os interesses da coletividade; que o poder econômico tem a capacidade de controlar o próprio Estado, o que faz com que a vontade particular ou as vontades de grupos privados se estabeleçam de forma hegemônica sobre os interesses do conjunto da sociedade. Desta forma, no contexto neoliberal, o Estado se vê controlado e sequestrado pelos interesses do grande capital, inclusive legislando em prol da causa desses interesses privados.
O professor termina parafraseando Marx: aquele que detém o poder material detém também o poder das ideias.

Outro grande e atual exemplo foi o buzz que a propaganda da “Devassa” gerou. Claro, ponto para os publicitários que pegou o símbolo da “santisse” do Brasil e colocou como a Devassa.

Gerou comentários como esse abaixo:

Não importa quem está na liderança, se é o poder público ou privado, o propagandista é frequentemente criticado por campanhas que promove, ficando mal visto pelos métodos utilizados para conseguir o apoio do público. Os estudiosos da propaganda não têm poupado esforços na busca de provas de informações deliberadamente corrompidas, de adulterações, bem como de outras provas de ideologias dirigidas ao público. Não há dúvida que existem práticas desse tipo. A mentira pública, porém, da mesma forma como a mentira privada, não é característica particular dos tempos modernos.

Já demonstrava o filme Crazy People – Muito Loucos, produzido em 1990. A comédia retrata a história de um publicitário – Emory Leeson – que repentinamente tem uma crise de honestidade e cria uma campanha publicitária que é calcada em dizer só a verdade sobre cada produto.

Será que o poder público ou privado deveria ter publicitários iguais a Emory Leeson?

Se eliminarmos de nossas considerações o que podemos chamar mentira inconsciente, isto é, a sincera promoção de ideais e causas que, posteriormente verificamos não o merecerem, descobriremos, provavelmente, que a quantidade total de falsificação deliberada é maior do que supomos.


O off-line como promovedor do on-line

17.mar.2010 - Por em Mídias Sociais, Web Tips

Aqui no blog falamos muito sobre o marketing digital, a abordagem das empresas no mundo virtual e o quão importante isso é hoje em dia. De fato, hoje em dia isso passou a ser uma necessidade, e não só modismo (afinal, onde já se viu uma empresa não ter nem um site, além disso, se não aparece no Google é porque não existe, não é?!). Seja um site institucional ou a presença em mídias sociais, a internet passou a ser uma ferramenta muito importante para a estratégia de comunição de uma empresa.

Mas a internet não é a única forma de divulgação e de relacionamento que existe hoje em dia. Pode parecer contraditório alguém que fala muito em relacionamento virtual, e que a tem como instrumento principal de trabalho (e eu não sobreviveria sem ela!) estar falando isso… e o objetivo deste post nem é entrar na questão da importância e da participação da web na vida das pessoas. Mas sim, de indicar que a internet não é tudo, ao menos para este país!

Vamos aos fatos: Segundo o Ibope Nielsen Online, de 2009, o Brasil é o 5º país com maior número de conexões. Destes, 27,5 milhões acessam regulamente de suas casas, e 36,4 milhões acessam do seu trabalho. Referindo-se a tempos médios de navegação, o Brasil é líder mundial, com 48 horas para navegação em sites, e 71 horas para aplicativos (como MSN). Já se referindo a publicidade on-line, a internet é o terceiro veículo de maior alcance no Brasil, perdendo apenas para rádio e TV. Estima-se que 70% dos consumidores confiem em opiniões feitas neste meio.

E agora lhes trago mais dados: dados do IBGE indicam que 65% dos brasileiros ainda não possuem acesso à web. Dentre os principais motivos disso o maior é o custo elevado, para 54% dos entrevistados pela entidade. Estive lendo sobre a ampliação do uso da internet pela banda larga, um projeto do governo, que caminha, como quase tudo neste país, em marcha lenta.  A novidade é de que os senadores querem um novo debate, será que ainda não estão convencidos da importância de um projeto assim? Ou estão preocupados com o buzz das próximas eleições?

Apesar do crescimento dos acessos (inclui-se além dos dados indicados anteriormente a questão das lan houses e ONGs que permitem a inclusão digital), particularmente percebo no meu dia-a-dia diversas pessoas (principalmente de gerações anteriores a da Y) que não tem familiaridade alguma com a ferramenta. E tenho certeza que você também conhece pessoas assim.

E como ficam as marcas e as empresas nessa história toda? Uma ação incrível no Twitter, um site com design nunca visto anteriormente, um novo APP para o Orkut… e a divulgação fica apenas nestes mesmos meios. Como fazer, principalmente para marcas ‘populares’, com que a grande massa saiba dessa nova ação? E ainda mais, como fazer com que participe?

Um case a partir disso tudo? A cerveja Devassa, lógico! Uma incrível ideia de lançar em um comercial na TV para as pessoas correrem ao Twitter e envolvendo o site. Eles foram muito além, a propaganda foi veiculada durante o Big Brother Brasil, quer horário melhor para atingir uma grande parte da população brasileira? Na minha opinião, foi a união perfeita entre a mídia tradicional e a web.

Mas e quando nosso cliente não tem milhões e milhões para criar e anunciar a campanha na TV, e você trabalha com um público de cidades pequenas e limitadas? #comofas? Simplesmente desiste da “bolha da internet”?

Eis uma boa discussão, essa é a hora que o on-line precisa da ajuda do off-line para se promover. Sem planos mirabolantes ou manual de instruções para isso, é preciso criatividade e coragem para isso. A empresa precisa abraçar o seu valor na esfera digital, “assumir” nas suas formas de comunicação tradicionais que está nela, fazer com que todos os seus consumidores, mesmo que se não tiverem acesso a rede, saibam que ela está lá também.

Desta forma o Joãozinho que não tem nem um computador e gosta muito da marca de tênis XYZ, vai lembrar do anúncio no jornal da cidade falando do novo site da empresa, e quando ele estiver em uma lan house vai acessar e conferir essa novidade. É muito importante que as marcas destaquem suas participações na internet em todas as suas divulgações. E principalmente pelo grande número de fakes que existem, em especial nas redes sociais, e que fazem com que os consumidores fiquem na dúvida da veracidade das informações postadas por aquele usuário.

Seja qual for a sua marca e o mercado que quer atingir, não separe os seus canais de comunicação, crie uma aliança entre eles, faça com que sejam aliados. As oportunidades são cada vez mais presentes para isso, saiba aproveitá-las a seu favor.


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