O buzz da Opinião Pública na Propaganda

Os propagandistas, em nosso sistema democrático, são responsáveis pela liderança da opinião pública. Em uma democracia, a liderança de opinião é descentralizada e o próprio indivíduo é levado a escolher. Portanto, é necessário estabelecer os melhores padrões de concorrência propagandista e assumir a responsabilidade do que fazemos.
Antes de tratar de propagandas, vamos entender o que é opinião pública. Segundo Cândido Teobaldo, é uma área de entendimento comum das pessoas que constituem o público, após ampla discussão da controvérsia levantada à base de considerações racionais.
Outra definição é de John Dewey, que em sua obra The Public and its Problems diz:
“… opinião pública é o julgamento formado e levado em consideração por aqueles que constituem o público e diz respeito a negócios públicos”.
O vídeo abaixo demonstra o segmento da opinião pública na propaganda.
O que me chama atenção no vídeo são os comerciais. Um deles mostra a propaganda de uma cerveja: diversão e animação. Outro mostra as conseqüências negativas que a cerveja pode trazer para o consumidor. Este último foi desenvolvido pelo Ministério da Saúde.
Hoje não existe mais o comercial do Ministério da Saúde. Qual seria o motivo?
O professor de sociologia Oswaldo Oliveira Santos Junior, da Universidade Metodista de São Paulo diz que os interesses capitalistas acabam sobrepondo os interesses da coletividade; que o poder econômico tem a capacidade de controlar o próprio Estado, o que faz com que a vontade particular ou as vontades de grupos privados se estabeleçam de forma hegemônica sobre os interesses do conjunto da sociedade. Desta forma, no contexto neoliberal, o Estado se vê controlado e sequestrado pelos interesses do grande capital, inclusive legislando em prol da causa desses interesses privados.
O professor termina parafraseando Marx: aquele que detém o poder material detém também o poder das ideias.
Outro grande e atual exemplo foi o buzz que a propaganda da “Devassa” gerou. Claro, ponto para os publicitários que pegou o símbolo da “santisse” do Brasil e colocou como a Devassa.
Gerou comentários como esse abaixo:

Não importa quem está na liderança, se é o poder público ou privado, o propagandista é frequentemente criticado por campanhas que promove, ficando mal visto pelos métodos utilizados para conseguir o apoio do público. Os estudiosos da propaganda não têm poupado esforços na busca de provas de informações deliberadamente corrompidas, de adulterações, bem como de outras provas de ideologias dirigidas ao público. Não há dúvida que existem práticas desse tipo. A mentira pública, porém, da mesma forma como a mentira privada, não é característica particular dos tempos modernos.
Já demonstrava o filme Crazy People – Muito Loucos, produzido em 1990. A comédia retrata a história de um publicitário – Emory Leeson – que repentinamente tem uma crise de honestidade e cria uma campanha publicitária que é calcada em dizer só a verdade sobre cada produto.
Será que o poder público ou privado deveria ter publicitários iguais a Emory Leeson?
Se eliminarmos de nossas considerações o que podemos chamar mentira inconsciente, isto é, a sincera promoção de ideais e causas que, posteriormente verificamos não o merecerem, descobriremos, provavelmente, que a quantidade total de falsificação deliberada é maior do que supomos.






